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Modelo de laudo de estanqueidade: o que deve constar

Laudo de estanqueidade de gás impresso sobre bancada ao lado de manômetro analógico

Modelo de laudo de estanqueidade: o que deve constar

Se você já recebeu um laudo e quer saber se ele vale, confira dez itens antes de sair atrás de um modelo de laudo de estanqueidade em PDF ou Word: identificação do imóvel, trecho ensaiado, tipo de gás, equipamento calibrado, condições do ensaio, resultado, data, responsável técnico com registro no CREA, ART registrada e registro fotográfico. Faltando a ART, o laudo não se sustenta.

Quem procura um modelo pronto quase sempre está em uma de duas situações: recebeu um laudo de um prestador e não sabe se aquilo tem valor, ou precisa apresentar um documento e quer resolver rápido. A lista abaixo serve para os dois casos — é a mesma conferência que faço quando um síndico me manda o laudo de um prestador para auditar.

Checklist: o que deve constar no laudo de estanqueidade

Confira item por item no documento que está na sua mão. Cada linha traz por que o item existe e o que acontece quando ele falta.

  1. Identificação completa do imóvel e do contratante. Endereço com número, bloco e unidade, além do nome do condomínio ou CNPJ da empresa. Sem isso, o documento não prova a qual instalação se refere e é descartado em vistoria.
  2. Descrição do que foi testado. Trecho da rede ensaiado, extensão aproximada, material da tubulação (cobre brasado com foscoper, tubo multicamada, aço-carbono) e pontos de início e fim. Sem delimitação, ninguém sabe se o ensaio cobriu a prumada inteira ou apenas um ramal.
  3. Tipo de gás da instalação. GLP ou gás natural. Muda o regulador, a pressão de trabalho e o critério do ensaio. Laudo que não informa o gás normalmente é texto reaproveitado de outro serviço.
  4. Equipamento utilizado e comprovação de calibração. Marca, modelo e número de série do manômetro, com certificado de calibração vigente. Sem rastreabilidade, a medição registrada não comprova nada.
  5. Pressão de ensaio, fluido utilizado e tempo de observação. Os três valores precisam estar escritos no documento e coerentes com o critério da norma aplicável à instalação — ABNT NBR 15526 no uso residencial, ABNT NBR 15358 no não residencial. Sem eles, não há como verificar se o ensaio seguiu a norma.
  6. Resultado e conclusão explícita. Aprovado ou reprovado, estanque ou não estanque, conforme ou não conforme — o que importa é a conclusão vir em uma palavra, sem margem para interpretação. Documento que termina em “a instalação apresenta condições de uso” sem conclusão objetiva é questionado na primeira análise.
  7. Data do ensaio e periodicidade recomendada. As duas datas devem constar, e a que conta para a vigência é a do ensaio, não a da emissão. Junto delas, a orientação de quando refazer. Sem data, o documento não tem vigência a comprovar.
  8. Nome, assinatura e registro no CREA do responsável técnico. Assinatura física ou digital com certificado, e número de registro legível. Carimbo ilegível já foi motivo de recusa em vistoria.
  9. Número da ART registrada e vinculada ao serviço. É o item que dá lastro ao documento. Sem ART, o que você tem não é um laudo de estanqueidade, é um relatório particular.
  10. Registro fotográfico do ensaio. Imagens do manômetro instalado e do trecho ensaiado, no imóvel correto. Sem foto, a única prova de que o teste aconteceu é a palavra de quem assinou.

A ART é o que separa um laudo de um relatório de estanqueidade

A ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registra formalmente que um profissional assumiu a responsabilidade por aquele ensaio. O número dela precisa constar no laudo, e a descrição do serviço registrado tem que corresponder ao que foi executado.

O erro de documentação que mais vejo é a ART de projeto ou de instalação sendo usada para cobrir um ensaio de estanqueidade feito meses depois. É outro serviço, exige outro registro. A autenticidade e a vinculação podem ser conferidas nos serviços de consulta do CREA-SP, na área de consulta pública do CreaOne.

Calibração do equipamento: o item que quase ninguém confere

O manômetro que embasa o ensaio precisa ter faixa de medição compatível com a pressão de trabalho da rede e certificado de calibração dentro da validade. Um instrumento de faixa larga demais não tem resolução para acusar queda pequena de pressão.

Já recebi para auditoria laudos que registravam a pressão com duas casas decimais sem identificar o aparelho — resolução que boa parte dos manômetros de campo não entrega. Se o equipamento não está identificado, o número registrado não pode ser conferido por ninguém.

Um modelo de laudo de estanqueidade só passa a ter valor quando os dez itens estão preenchidos com dados reais do seu imóvel e do ensaio executado.

Mandar foto do meu laudo para conferência

Um laudo aprovado pode não cobrir a instalação inteira

O que quase ninguém percebe é isto: o carimbo de “aprovado” vale para o trecho que foi ensaiado, e só para ele. Se o laudo descreve apenas “instalação de gás do imóvel”, sem delimitar prumada, ramais e pontos, ele aprova uma coisa que não está definida.

Em condomínio isso aparece com frequência: ensaio feito na rede coletiva, laudo genérico, e as ramificações internas das unidades nunca testadas. No dia do sinistro, a discussão vai ser exatamente sobre o trecho que o documento não nomeia.

Por que um modelo preenchido por conta própria não tem valor

O arquivo em PDF ou Word é só o formato do papel. O que dá validade ao documento é o ensaio efetivamente executado com instrumento calibrado e a ART registrada por profissional com habilitação — condição que já detalhei no artigo sobre habilitação para emitir o teste de estanqueidade. Um modelo de laudo de estanqueidade baixado e preenchido sem ensaio não é documento técnico, é um formulário.

O que acontece na prática quando o laudo está incompleto

Quando o Corpo de Bombeiros pede o laudo de estanqueidade em vistoria, a sequência que observo é sempre a mesma: data, assinatura com registro no CREA e ART. Se um dos três não bate, a conversa sobre pressão de ensaio nem chega a acontecer — o documento volta antes disso.

Quem exige o laudo de estanqueidadeO que olha primeiroConsequência do laudo incompleto
Corpo de Bombeiros (AVCB e CLCB)Data, ART e responsável técnicoVistoria não aprovada e novo agendamento
Seguradora, em sinistroTrecho ensaiado, fotos e vigênciaAnálise contestada ou cobertura recusada
Administradora e assembleiaIdentificação do prédio e conclusãoPrestação de contas travada e serviço refeito
Concessionária de gásTipo de gás, material e conclusãoLigação ou religação não liberada

Em comércio a pressão é maior porque o laudo entra no pacote da vistoria. Restaurante e padaria em Campinas costumam descobrir o problema quando o laudo de estanqueidade exigido no processo de AVCB volta para correção — e nessas redes comerciais de GLP a norma da rede interna é a ABNT NBR 15358, que trata das instalações de uso não residencial — e não a NBR 15526, que se aplica às residenciais.

Em prédio residencial, o ponto crítico é a guarda do documento: ele precisa estar acessível para a administradora e para a próxima assembleia, com a rede coletiva descrita. É o que detalho na página sobre laudo de estanqueidade para condomínios.

Quando o laudo de estanqueidade precisa ser refeito

O ensaio que sustenta o laudo perde representatividade sempre que a rede muda. Refazer é necessário depois de qualquer intervenção na tubulação, troca ou inclusão de aparelhos, remanejamento de pontos e reforma que mexa em parede com rede embutida.

Refazer também entra em pauta ao fim da periodicidade indicada no próprio laudo ou do prazo cobrado por seguradora, administradora ou pela vistoria do Corpo de Bombeiros. Como esse prazo varia conforme o município e o contratante, quem valida o que se aplica ao seu caso é o responsável técnico. O acompanhamento contínuo está descrito na página de renovação do laudo de estanqueidade de gás.

Perguntas frequentes sobre o modelo de laudo de estanqueidade

O que deve constar no laudo de estanqueidade?

Identificação do imóvel e do contratante, descrição do trecho ensaiado, tipo de gás, equipamento com calibração comprovada, condições do ensaio, resultado explícito, data, responsável técnico com registro no CREA, número da ART e registro fotográfico.

Laudo de estanqueidade tem validade jurídica?

O documento é reconhecido como peça técnica quando tem ART registrada e vinculada ao serviço, porque a ART formaliza a responsabilidade do profissional. Sem ela, o papel funciona como registro particular e não se sustenta perante bombeiros, seguradora ou concessionária.

Dá para usar um modelo de laudo de estanqueidade em PDF ou Word?

O PDF ou Word é apenas o formato. A validade vem do ensaio executado com equipamento calibrado e da ART registrada. Um modelo preenchido sem ensaio não é aceito em vistoria nem em análise de sinistro.

Qual a diferença entre laudo e relatório de estanqueidade?

Os dois nomes circulam juntos no dia a dia, mas o que muda é o lastro. Documento com ART registrada e conclusão assinada por responsável técnico é o que os órgãos aceitam. Um relatório de estanqueidade sem ART serve como controle interno, não como comprovação.

Como conferir se a ART do laudo está correta?

Verifique se o número da ART aparece no laudo, se o serviço descrito nela corresponde ao ensaio realizado e se os dados do profissional batem com a assinatura. A autenticidade pode ser consultada no portal do CREA-SP.

O laudo precisa de registro fotográfico?

A foto não substitui o ensaio, mas comprova que ele aconteceu naquele imóvel e naquela data. Laudo sem imagem do manômetro instalado e do trecho ensaiado é o primeiro a ser questionado em análise de sinistro.

O que invalida um laudo de estanqueidade?

Ausência de ART, falta de identificação do imóvel, trecho ensaiado não descrito, equipamento sem calibração comprovada, ausência da data do ensaio ou conclusão vaga. Qualquer um desses pontos é suficiente para o documento ser recusado.

Com que frequência o laudo deve ser refeito?

O laudo deve ser refeito sempre que houver intervenção na rede, troca de aparelhos, remanejamento de pontos ou suspeita de vazamento, e ao fim da periodicidade indicada no documento ou exigida por seguradora, administradora e Corpo de Bombeiros.

Conferência de laudo em Campinas e região

Atuo como responsável técnico da Eletro Contato desde a época em que laudo ainda era datilografado, e a rotina de conferência é a mesma em condomínio de Valinhos, restaurante em Campinas ou galpão em Vinhedo e Indaiatuba: primeiro o documento, depois a rede.

Se o seu laudo falhou em algum dos dez itens, o caminho é refazer o ensaio com registro adequado. A execução e a emissão estão descritas na página de laudo de estanqueidade de gás em Campinas.

Quero conferir se meu laudo está completo

Cassio Victor Contato — Engenheiro responsável técnico, CREA-SP 5070615027.

 

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